Reforma Tributária reacende dúvidas sobre Fundos Imobiliários
A Reforma Tributária em discussão no Brasil trouxe mudanças profundas na forma como o país tributa o consumo e os serviços. Naturalmente, esse novo cenário levantou dúvidas sobre diversos investimentos, e os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) estão entre os mais debatidos.
Isso não acontece por acaso. Os FIIs ganharam relevância no mercado imobiliário brasileiro, reúnem milhões de investidores e movimentam diariamente volumes expressivos na bolsa. Por isso, qualquer alteração regulatória gera atenção imediata.
Ainda assim, mais importante do que acompanhar manchetes é entender o impacto real da reforma na estrutura dos fundos e na rentabilidade do investidor.
O que a Reforma Tributária muda na prática?
A reforma substitui tributos antigos, como ICMS, ISS, PIS e Cofins, por dois novos impostos:
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IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência estadual e municipal
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CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal
Juntos, eles formam o chamado IVA Dual.
No caso dos FIIs, a reforma não alterou a regra de isenção do Imposto de Renda sobre os rendimentos pagos a pessoas físicas. Esse ponto permanece válido.
A discussão central envolve outra questão: a possível incidência de IBS e CBS sobre as receitas dos próprios fundos, dependendo da sua estrutura.
FIIs vão pagar IBS e CBS?
A resposta curta é: depende do tipo de fundo e do seu enquadramento.
A regulamentação mais recente definiu critérios para que os FIIs continuem isentos. Entre os principais requisitos estão:
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cotas negociadas publicamente em bolsa ou mercado organizado;
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base mínima de investidores;
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limites de concentração por cotista ou grupo econômico.
Na prática, fundos pulverizados, voltados ao investidor de mercado, tendem a manter o tratamento atual. Já fundos mais concentrados, usados como estruturas patrimoniais específicas, podem perder a isenção e passar a recolher os novos tributos.
Como o IBS/CBS pode afetar a rentabilidade dos FIIs?
Mesmo nos casos em que haja tributação, o imposto não incide diretamente sobre os dividendos do cotista. A cobrança ocorre na origem, sobre a receita do fundo.
O impacto segue uma lógica simples:
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o fundo gera receita (aluguéis ou rendimentos);
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sobre essa receita pode incidir IBS/CBS;
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o resultado líquido diminui;
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como a distribuição é obrigatória, o valor pago ao investidor pode cair.
Ou seja, o efeito é indireto, mas pode reduzir o dividend yield em determinados cenários.
Todos os FIIs serão afetados da mesma forma?
Não. O impacto varia conforme o segmento do fundo.
FIIs de tijolo
Fundos que operam diretamente com imóveis e aluguéis tendem a exigir mais atenção. Isso acontece porque a própria atividade de locação entra no campo de incidência do IVA Dual, ainda que com alíquota reduzida.
FIIs de papel
Já os fundos focados em recebíveis e títulos financeiros costumam ter menor exposição direta, pois lidam com ativos financeiros. No entanto, algumas operações específicas podem gerar enquadramento tributário diferente, o que exige análise caso a caso.
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Existem efeitos indiretos da Reforma Tributária?
Sim. Mesmo FIIs que sigam isentos podem sentir impactos indiretos, como aumento de custos com serviços, auditorias e fornecedores, em um ambiente tributário mais complexo.
Por outro lado, a reforma também pode tornar os FIIs mais atrativos frente à posse direta de imóveis, já que pessoas físicas com múltiplos imóveis para locação passam a enfrentar novas regras de tributação.
O que o investidor deve considerar a partir de agora?
Diante de uma reforma estrutural, o mais importante não é antecipar todos os detalhes, mas manter critérios claros de análise.
Vale atenção especial para:
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a estrutura e o tipo de FIIs na carteira;
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o nível de concentração dos fundos;
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a exposição a riscos regulatórios;
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a coerência da estratégia com objetivos de médio e longo prazo.
Reformas desse porte acontecem em etapas. Por isso, atravessar esse processo exige leitura de cenário, organização e acompanhamento profissional.
Menos ruído, mais estratégia
A Reforma Tributária traz ajustes relevantes, mas não muda automaticamente a lógica dos Fundos Imobiliários. Para o investidor, o diferencial continua sendo análise, diversificação e visão de longo prazo.
Se você quer entender como essas mudanças afetam sua carteira de FIIs e quais decisões fazem mais sentido para o seu perfil, conversar com um assessor da Miura Investimentos pode ajudar a transformar informação em estratégia.





